Dica de lifehack: A navalha de Occam

Várias vezes, na nossa vida, temos de fazer coisas complexas (por definição, é algo que exige mais de uma coisa). E invariavelmente esquecemos coisas, colocamos coisas que não tem necessidade de existir, dificultamos o que deveriamos simplificar e esquecemos algo que deveria ser mais importante. É da natureza humana ferrar com tudo. Mas hoje irei ensinar uma coisa que pode te ajudar em muitos aspectos de sua vida: Conheçam a Navalha de Occam e como ela vai te salvar várias vezes…

Pluralitas non est ponenda sine neccesitate.

Esse é o princípio básico da navalha de occam. Em tradução livre, “A pluralidade não deve ser usada sem necessidade”, o que em outros termos, significa dizer que só é válida a complicação se por força da necessidade. Essa ideia parece algo meio óbvio e nada grandioso, mas ela é a chave pra fazer as coisas direito. Ela é uma forma de garantir que o ser humano, ao agir, alcance o melhor resultado possível com o menor esforço. Bem, vou falar da parte mais teórica da coisa, então se quiser, é só pular para a parte do tutorial.

Antes precisamos entender o conceito amplo e multiuso de praxeologia. Mises definiu, de forma ridiculamente curta, que “Ação humana é comportamento propositado”. E dessas 5 palavras, podemos tirar tanta coisa que mostra quão gênio ele é. Para o que estamos falando, nós tiramos dai que a ação humana é formada de ato, intenção e resultado. Ou seja, nós queremos algo x, fazemos y e algo acontece por causa de y, que pode ser o que queriamos ou outra coisa, parecida ou não, podendo até mesmo ser o exato oposto do que queriamos.

Isso significa dizer o óbvio que todo mundo finge não ver: O resultado depende do meio usado, ou seja, do comportamento, não da intenção, que só serve pra comparar com o resultado e saber se você fez “certo” ou “errado”. Imagine uma equação, temos a incógnita de um lado, o resultado do outro e a intenção é os números e símbolos, a parte teórica que ajuda a entender o que aquilo significa. Assim, pra fazer qualquer planejamento, você precisa saber o que você quer, como vai fazer e tentar descobrir qual é o resultado e etc. Agora vou explicar como você vai aplicar a navalha de Occam…

TUTORIAL

De forma genérica, é muito simples: Escreva todos os passos possíveis para a execução dos planos e faça o teste de necessidade, justificando objetivamente todos os passos. Aqueles que você não conseguir justificar, descarte. Para isso funcionar, é necessário que você não tente se enganar, nem tente fazer um “mas e se”. Ou você justifica de verdade, ou não serve pra nada. Vamos à alguns exemplos.

Digamos que você vai viajar e precisa fazer as malas. Você faz uma lista das coisas que vai colocar, vou fazer uma pequena lista aqui pra explicar:

  • Celular + Carregador
  • Notebook + carregador
  • Roupas
  • Produtos de higiene pessoal
  • Toalha
  • Dois livros
  • Fones de ouvido
  • Dinheiro
  • PSP
  • Câmera e conjunto de lentes
  • Medicamentos

Você não precisa justificar por escrito, basta você fazer o experimento mental. Roupas, produtos de higiene pessoal e dinheiro são óbvios, não é? Depende. Ninguém precisa, pra uma viagem de 3 dias, levar uma mascara de pepino e sei lá mais o que, assim como não precisa levar 3 malas de roupa. Pra funcionar, você vai dividir até mesmo nos mínimos aspectos. Será que você vai usar mesmo aquela cueca de coelhinho que comprou na sexshop? E aquela cueca rasgada que tu gosta de dormir com ela, será que vai usar também na viagem? Então deixa em casa. E o dinheiro, você não precisa levar 20 mil reais para passar um dia na casa da avó que mora na cidade do interior que não tem nem internet decente?

Outra coisa, será que é necessário mesmo notebook, psp e celular? De que adianta você levar o PSP se, por preguiça, ele vai passar a viagem toda na mala enquanto você joga Shadow Era no celular porque “já está no bolso”? E o notebook, você precisa mesmo dele ou pode usar o celular? Essa câmera ai, você vai rodar com ela sem medo de ser assaltado? Precisa mesmo de todas as lentes? Usa o celular mesmo pra tudo, aproveita e coloca aquela bateria externa no lugar disso tudo, problema resolvido. Você vai mesmo ler 2 livros de Game Of Thrones, aquelas coisas de 800 páginas em 3 dias? É óbvio que não, afinal você está viajando, tem o que aproveitar e tal, leva só um, talvez nenhum.

Agora você não deve confundir “não ter uso” com “reserva”. É sempre bom ter algumas coisas sobrando, por exemplo, medicamentos. Obviamente você não precisa levar um desfibrilador na mala, mas Paracetamol, dipirona, remédio pra enjoo, azia e etc, vale a pena usar, mas de novo, tem que ser crítico. Se em 3 dias você precisa mais do que uma cartela de dipirona, é porque você vai pro hospital ou vai voltar pra casa, além do que, existe farmácia fora da sua cidade também. Mesma coisa com o dinheiro e as roupas, não leve contado, mas também não leve muito sobrando.

Fazendo isso tudo, você provavelmente vai conseguir, na maioria das vezes, viajar só com bagagem de mão.

Outro exemplo, você quer começar a fazer brigadeiro para fazer na universidade e começa a planejar como vai fazer. A navalha de Occam começa já na compra dos ingredientes, qual a quantidade que você vai fazer? Ora, você não precisa estocar fardos de achocolatado, compra uma quantidade que dê pro primeiro dia. Você também não precisa fazer muitos, faz só pra testar. Será que você precisa mesmo gastar dinheiro imprimindo aqueles cartões, deixa pra depois. E onde vai vender, será que precisa mesmo sair de sala em sala, que tal começar na sua sala, só com seus amigos, pra ver se rola? Vai fazer brigadeiro branco e preto ou talvez seja melhor começar com o tradicional mesmo, que a venda é mais garantida? Todas essas decisões, entre ampliar a ideia ou simplificar e testar precisam ser justificadas. Fazer tudo isso evitará desperdícios e dor de cabeça.

Fazer esse processo de justificar tudo não serve só pra vender coisas e fazer as malas, basicamente serve pra qualquer coisa que envolva vários pequenos atos e escolhas. Isso funcionaria tão bem quanto na hora de um deputado criar a lei (quantos casos essa nova lei vai abarcar? É realmente necessária?), ou numa grande empresa quanto aos processos administrativos (é realmente necessário um auxiliar para a tesouraria? Se já tem a contagem do dinheiro no caixa e na gerência, pra que contar dinheiro na tesouraria de novo? Preciso mesmo de um técnico de sistemas ou vale mais a pena contratar um estagiário pra ajudar o técnico de TI?).

Seja você um pequeno/grande empresário, um político ou uma pessoa que sofreu no aeroporto de salvador com 3 malas durante a escala, essa técnica provavelmente vai te salvar muitas vezes…

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