O mundo das máscaras

 

Um indício seguro de barbarismo num povo é a atenção excessiva concedida aos sinais convencionais de boa educação e o desprezo ou ignorância dos princípios básicos da convivência que constituem a essência mesma da boa educação. O bárbaro, o selvagem, pode decorar as regras e imitá-las na frente de quem ele acha que liga para elas. Mas não capta o espírito delas, não percebe que são apenas uma cartilha de solicitude, de atenção, de bondade, que pode ser abandonada tão logo a gente aprendeu o verdadeiro sentido do que é ser solícito, atencioso e bom. – Olavo de Carvalho

Bom senso é como dinheiro: Quase todo mundo tem menos do que o necessário e no final do mês sempre está faltando. Todo mundo sabe disso e se existe alguém que não lembra, o universo vai fazer questão de te lembrar essa semana ainda com alguém falando mal de uma amiga de tua namorada na frente dela ou qualquer coisa do gênero. Isso existe desde sempre e se Íxion tinha coragem de pegar a mulher de Zeus e ainda sair espalhando podemos retraçar alguns milênios de insanidade na raça humana.

Falta de bom senso é normal. O mal dessa sociedade em que vivo (ainda não sei se é problema do Brasil ou do mundo em geral) é que as pessoas se tornaram pussys (o famoso viadinho). Sem nenhuma maturidade emocional e se ofendendo até com o vento que bate na janela, vivem em um fractal de mentiras, onde uma mentira menor forma uma maior e cem ainda menores, transformando toda a sua história de vida numa mentira única. Na falta de coragem para admitir quão merda são, as pessoas mentem para outras pessoas, para seres inanimados e até para si mesmos.

E tenho certeza, MAS TENHO CERTEZA MAIS DO QUE ABSOLUTA, que se eu falar algo pra ele na boa, tipo: “Fulano, desculpe ser tão direta, mas odeio você insistindo, tentando criar situações, forçando assuntos que não temos e que não tenho interesse algum em manter…”, ele vai dar uma de injustiçadão, de “Ai, mas você entendeu errado.”.

Quando a Thatu abordou o assunto nesse maravilhoso texto ela percebeu muito bem a falta de bom senso. Por outro lado, e a mentira do cara? Qual a real necessidade de se vitimizar? Ora, o cara se faz de vítima porque diante da realidade de que ele não é alguém especial e maravilhoso, a única explicação para isso é que não o é por inveja ou conspiração do resto do mundo. Ora, como justificar que ele, o ser mais especial e grandioso presente nesse planeta medíocre demais para ele, poderia não ter qualquer mulher do mundo em seus pés?

Ele diz não só para ela, mas para si mesmo, que não queria desde o começo, como uma criança que faz birra e tenta sair por cima. Para que as pessoas não percebam quão frágil aquele ser humano, tão humano quanto qualquer outro, ele usa as mentiras para si mesmo como artifício de manipulação da realidade. Mentira atrás de mentira, a pessoa começa a acreditar verdadeiramente naquilo ao ponto da mentira patológica se tornar uma alucinação histérica.

E isso é quase uma constante nos relacionamentos que vejo. Quando um relacionamento qualquer dá errado, as pessoas tem orgasmos de felicidade ao ver o outro sofrendo, como se ter terminado fosse o crime máximo que um ser humano pode cometer. “Não se preocupe amiga, ele não vai arranjar ninguém melhor do que você”. É ser vingativo contra a pessoa que nada fez. Esse é o pior tipo de vingança que existe, pois não é uma vingança real, é uma agressão desmedida, uma destilação de ódio, com uma desculpa mentirosa que acalenta a alma e faz acreditar que você realmente é uma pessoa boa.

Os pontos em comum entre os selvagens educados de Olavo, os ex-namorados neuróticos e vingativos e os homens e mulheres que se acham bons demais para serem recusados por quem quer que seja ultrapassam a falta de bom senso, é a mentira patológica e alucinante, usada como se fosse morfina, para esconder a dor de saber quão merda tais pessoas são.

Ao ponto, nos três casos, de toda a pessoa ser uma mentira ambulante. Um zumbi que caminha pela rua, escravizado e sodomizado pela própria doença emocional. É o cara que ao chegar no fundo do poço, vive plantando bananeira para acreditar que está no topo do mundo.

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