É o amor…


“Amor é acordar o companheiro de manhã com um boquete” – Israel Nobre

Se eu fosse fazer alguma aposta com alguém de  “qual o termo mais usado na história da humanidade, considerando todas as variações de todos os idiomas, eu chutaria “amor”. Esse sentimento é, de modo geral, algo perene em nossa cultura. E tal qual reacionário “beleza”, normalmente as pessoas são incapazes de conceituar um termo que usam diariamente.

Antes de mais nada, admito que gosto de pensar sobre coisas desnecessárias. Provavelmente, o que está escrito aqui, se é que você vai chegar ao final, não vai fazer diferença nenhuma em sua vida. Também admito que sou um analfabeto filosófico e alguém provavelmente já falou o que eu disse. Então, se quiserem continuar esse texto, tenham em mente essas coisas:

1° – Esse texto não é uma verdade inexorável, é só minha visão.

1.5° – Inexóravel se pronuncia “inêzôrávéu” e você sempre esteve errado.

2° – Nada do que for escrito aqui tem embasamento em escola filosófica, psicológica ou neurológica nenhuma. É só um pensamento livre de uma mente burra (ou como prefiro, filosoficamente não contaminada, porque pensar com a conclusão dos outros é fácil). Dito isso, prosseguirei.

cthulhu

 

Antes de buscar entender algo complexo como amor, temos que entender o básico sobre relações pessoais. Um conceito que me agrada foi um que vi num texto que se perdeu para sempre no vortex que é a internet, escrito pelo Caio Sedano, onde ele conceitua, basicamente as relações pessoais como um jogo de interesses onde as pessoas se ajudam mutuamente. Basicamente, as pessoas ajudam as outras porque querem ser ajudadas ou simplesmente porque sentem prazer em ajudar os outros.

Um pensamento egoísta e ao mesmo tempo altruísta, pois mesmo fazendo por interesse próprio, ele não tem a menor perspectiva de que irá receber aquilo de volta. O conceito a se analisar no caso do altruísmo é que, independente da razão ser egoísta, o ato é bom e nobre.

E nessa análise sobre o egoísmo como fator motivador, entra o ponto mais importante dessa análise: Confiança. Se as relações jurídicas são pautadas por um acordo de vontades onde as partes se obrigam à cumprir o acordado (pacta sunt servanda), no caso das relações pessoais, as ajudas não são obrigatórias, ao menos não fora da consciência individual. X ajuda Y, que numa outra situação, ajuda X por causa da “amizade”, ou seja, das inúmeras trocas de favores consensuais que eles fizeram desde que se conheceram. E existem nesse caso, dois aspectos.

O primeiro é que quase todas as interações de amigos são favores. Um favor, nesse contexto não precisa ser um pedido, ou algo que exija esforço. Uma conversa boba, mas que faça o amigo rir e distrair do dia ruim que teve, é um favor, que normalmente envolve uma troca, já que a outra pessoa também faz isso com ela, criando um ciclo de troca de favores, alguns grandes, outros pequenos, mas que mantém a relação saudável entre os dois.

O segundo é que nunca uma relação social será igualitária. não existe uma equivalência entre os favores, eles são feitos de maneira natural e portanto, nunca se espera um retorno de igual valor ao que foi dado. Esses fatores são o que fortalece a confiança. Tendo dito isso, fica fácil entender o que é um amigo, que nada mais é que uma evolução do coleguismo. Em termos práticos um amigo é:

Pessoa com a qual você já interage habitualmente e tem confiança o suficiente nela para ajudá-la e ser ajudada, sem nenhum tipo de cobrança ou sentimento negativo nessa relação. 

Lembremos que existem tipos e níveis de amizades, mas de modo geral é fácil de identificar, porque você não interage com ela pelo favor em si, mas porque a própria interação é benéfica pra você. Entendendo o que é uma amizade, dá pra quase chegar no conceito de amor, que é basicamente uma evolução desse sentimento.

“Mas perai, amor não deveria ser uma evolução da paixão?” talvez você se questione.

fire-heart

A paixão é um sentimento totalmente diferente dos outros bons sentimentos porque ele tem por objeto a relação, não as pessoas. Explico. Se no caso do colega, amigo, brother, BFF, Pau Amigo e os diferentes tipos de amizade que algum dia vocês venham a criar, trata-se das duas pessoas, no caso dos apaixonados, tudo que importa é o relacionamento, pouco importando se existem benefícios ou malefícios para as pessoas envolvidas ou periféricas aos envolvidos. E que fique claro, raríssimas são as situações onde a paixão aparece isolada, nesses raros casos, normalmente acabam os 2 envolvidos em alguma desgraça.

Pro apaixonado, não importa a felicidade do outro ou dele mesmo, somente a sustentação do relacionamento. Um cara apaixonado pela menina não toma atitudes pensando no que é melhor pra ele, toma atitudes para conquistar a garota e assim efetivar o namoro, mesmo que isso não seja bom pra ela, assim como uma pessoa apaixonada está disposta a estragar aspectos da vida do outro, colocar família contra a pessoa que quer terminar, por exemplo, somente para que continuem namorando.

É verdade que dá forma como eu coloquei, fiz a paixão parecer ser algo negativo, não é. A paixão pode fazer a pessoa construir coisas maravilhosas e sobre-humanas em prol do outro, mas de tão intenso, talvez o sentimento mais intenso possível, ele tem um potencial destrutivo absurdo caso o controle seja perdido. histórias não tão raras de pessoas que DESTROEM a vida da outra, metaforicamente (como no caso da vingança pornô) ou as vezes literalmente (como a pessoa que mata aquele que ama e se mata logo em seguida) mostram o que a paixão, quando doentia, é capaz. No fim das contas, a paixão é como um fogo, que pode aquecer, queimar ou carbonizar, dependendo da intensidade.

MAS QUE PORRA, AFINAL, O QUE É O AMOR?

never-never-forget

Aquele conceito que levantei lá no começo, de fazer sexo oral no outro pra acordar, pode ser entendido como um ato de amizade. O prazer que sente durante o oral é em sua maior parte, pelo outro. Isso compreende os 2 conceitos da amizade: Sentir prazer pelo outro e esperar que receba depois, mas sem precisar pedir. Ninguém, ao menos espero eu, pede “amor, quero acordar com um boquete amanhã” porque simplesmente perde a graça da coisa que é a surpresa, o presente.

E o amor é na verdade, um nível de confiança absurdamente alto, onde você faz o que pode pela pessoa, pois sabe que ela também fará. É aquele velho conceito de “se fosse ele no meu lugar, ele faria”. Se a paixão é como se fosse um eclipse, algo incrivelmente grandioso, mas que logo acaba (se não for recarregado com o tempo, óbvio), o amor é  como o mar criando a praia. Um sentimento que começa tímido, crescendo devagar, mas em ritmo constante.  Sua beleza não tem o mesmo valor da paixão, por outro lado, o aspecto duradouro do amor torna ele um sentimento único. A confiança é fundada nas inúmeras relações que deram certo. O amor é somente o estágio dessa confiança onde mais provas se tornam desnecessárias.

E o curioso do amor é que mesmo que ele se fragilize com inúmeros vacilos por parte do outro, por mais que tudo se destrua, sempre restará respeito e um sentimento de desejar o bem a ele. Pra amar alguém, você não precisa ter um relacionamento com ela, sequer de amizade. Não existe ex-amor, mesmo que se esforce ao máximo para trair a pessoa em tudo que pode, um resquício do sentimento sempre vai restar. No fim das contas, mesmo que o caminho dos 2 se desencontrem, o sentimento continuará existindo voltando a tona assim que se vejam novamente.

Tal qual a mãe e o filho, que podem passsar anos sem se ver, mas sempre se abraçarão e talvez chorarão durante o reencontro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s