Onde você estará daqui a 10 anos?

Estava ontem no twitter, conversando sobre alguns temas mais reflexivos. E no papo(que variou entre piadas com defuntos, games e pessoas que me odeiam) surgiu a duvida: Se você pudesse, iria querer saber como seria seu eu no futuro? Ou no caso seu você. Nem começou as viagens sobre o (e no) tempo e já não sei mais quais pronomes ou verbos usar…

Agora estou percebendo uma coisa: Nunca assisti de volta para o futuro...

Vamos dar uma voltinha?

Primeiro, como se trata de futuro, deixe eu dizer logo qual é minha visão do espaço-tempo: Eu acredito que qualquer mudança temporal causa mudanças drásticas inicialmente e a medida que se afasta as diferenças vão se tornando minimas até o tempo se corrigir.

E eu não acho que seria interessante eu saber como será meu futuro. Imagine uma coisa: Vamos dizer que você conheceu o amor de sua vida em uma esbarrada no shopping, casou-se com ela em paris, teve 2 filhos e 20 anos depois pegou ela transando com outro em sua sala(e sabe-se lá como, eles destruiram seu SNES(que é o que você ganhou de seus pais quando tinha 9 anos). Qualquer variável por mais insignificante que seja, tem potencial para mudar seu futuro radicalmente. Se outro espermatozóide tivesse chegado no óvulo, seu filho provavelmente seria totalmente diferente(e assim a criação seria diferente). Talvez se sua esposa não tivesse quebrado sua relíquia de infância, você a perdoaria. E se tivesse uma pessoa a mais na fila da subway, talvez você nunca tivesse conhecido sua esposa.

Isso significa dizer que só o fato de você prestar atenção ao ambiente ao invés de ficar twittando enquanto caminha, pode mudar sua vida RADICALMENTE. E quanto mais influência você tem, mais vidas você pode mudar. Já pensou se o atentado de 20 de julho funcionasse? talvez a alemanha seria bem mais rica hoje em dia.

Se você soubesse que daqui a 10 anos você estaria no seu lugar dos sonhos, você se focaria a perseguir ainda mais esse sonho, coisa que poderia transformar sua vida futura totalmente. Se seu futuro fosse sombrio, você na tentativa de afastá-lo você poderia cair justamente nele, ou até em um futuro pior. Eu escrevi “até”? Era pra dizer com quase toda a certeza do mundo. É mais provavel que sua vida seja pior do que seria sem esse conhecimento.

E se aquilo que eu disse lá em cima(autocorreção do tempo) não existir, seria muito pior. Pois só pelo fato de você aparecer no futuro, já mudaria ele completamente. e nesse caso não só o futuro seria modificado, como todo o passado e o presente poderia ser, pois as pessoas do passado poderiam viajar para outro tempo e mudar tudo. Se você parar pra pensar uma única viagem no tempo causa infinitos paradoxos temporais, em um efeito dominó. É um risco muito grande que todo o universo corre, para você poder acalmar sua compulsão de tentar ser seu próprio pai…

Vou dizer que esse botão me deixaria mais em pânico do que se fosse só o botão sem nada escrito...

Respire fundo, acalme-se e só aperte esse botão quando a besteira for tão grande que nem ficar em pânico você consegue mais…

Conhecimento pode ser uma maneira de se melhorar ou de piorar as coisas. E saber do futuro, que a priori nada mais é do que uma possibilidade, e acreditar que ele é real pode trazer tantos problemas quanto uma alucinação, pois você não saberá se você mudou algo ou não, a não ser que você fique indo e voltando do futuro o tempo todo, o que te traria mais informações e te enlouqueceria ainda mais. Definitivamente, não faço a menor questão de saber o que poderá acontecer comigo no futuro, mas acho que seria legal conhecer alguém cujo pai é ele próprio…

Um dos maiores problemas encontrados em viajar no tempo não é vir a se tornar acidentalmente seu pai ou sua mãe. Não há nenhum problema em tornar-se seu próprio pai ou mãe com que uma família de mente aberta e bem ajustada não possa lidar. Não há tampouco problema em mudar o curso da história, o curso da história não muda porque todas as peças se juntam como num quebra-cabeça. Todas as mudanças importantes ocorreram antes das coisas que deveriam mudar e tudo dá na mesma no final. O problema maior é simplesmente gramatical, e a principal obra a ser consultada sobre esta questão é o tratado do Dr. Dan Streetmentioner, Manual dos 1001 tempos gramaticais para o viajante no tempo. Ensina, por exemplo, a descrever algo que estava prestes a acontecer com você no passado antes de você evitá-lo pulando no tempo para dois dias depois com a intenção de evitá-lo. O evento é descrito distintamente conforme você esteja referindo-se a ele do seu ponto natural no tempo, de uma época no futuro posterior ou numa época no passado posterior ao evento e posteriormente vai ficando mais e mais complicado caso você esteja viajando de cá para lá no tempo na tentativa de tornar-se seu próprio pai ou sua própria mãe.
A maioria dos leitores chega até o futuro semicondicional subinvertido plagal do pretérito subjuntivo intencional antes de desistir; e de fato, em edição mais recente desse livro as páginas subsequentes têm sido deixadas em branco para economizar custos de impressão. O guia do mochileiro das galáxias passa por cima desta abstração acadêmica, parando apenas numa nota lembrando que o termo “futuro perfeito” foi abandonado assim que se descobriu que não é.

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